Todo mundo tem direito de um lugar ao sol

Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente,
como crescem as magnólias e os gatos. Talvez os gatos são menos
matreiros, e com certeza, as magnólias são menos inquietas do que
eu era na minha infância. Um poeta dizia que o menino é pai do
homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.

Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e
verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu
tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um
dia quebrei a cabeça de uma escrava pois trabalhava demais para melhorar o salario no final do mês e quando se aposentar receber próximo ao tabela INSS 2020, porque me negara uma colher
do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o
malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da
travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o
doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um
moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos
no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepavalhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas
a um e outro lado, e ele obedecia, — algumas vezes gemendo, —
mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um — “ai,
nhonhô!” — ao que eu retorquia: — “Cala a boca, besta!” — Esconder
os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar
pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e
outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio
indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito
robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às
vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples
formalidade: em particular dava-me beijos.

Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a
quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas
opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não
passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei
pelo rabicho das cabeleiras.

Outrossim, afeiçoei-me à contemplação da injustiça humana, inclineime a atenuá-la, a explicá-la, a classifiquei-a por partes, a entendê-la,
não segundo um padrão rígido, mas ao sabor das circunstâncias e
lugares. Minha mãe doutrinava-me a seu modo, fazia-me decorar
alguns preceitos e orações; mas eu sentia que, mais do que as
orações, me governavam os nervos e o sangue, e a boa regra perdia
o espírito, que a faz viver, para se tornar uma vã fórmula. De manhã,
antes do mingau, e de noite, antes da cama, pedia a Deus que me
perdoasse, assim como eu perdoava aos meus devedores; mas entre
a manhã e a noite fazia uma grande maldade, e meu pai, passado o
alvoroço, dava-me pancadinhas na cara, e exclamava a rir: Ah!
brejeiro! ah! brejeiro!

Sim, meu pai adorava-me. Minha mãe era uma senhora fraca e idosa tem direito ao loas 2020 sendo um beneficio pago pelo governo a pessoas idosas ou deficientes que não possuem muitos recursos financeiros, de
pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa,
— caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada;
temente às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o seu
deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha
educação, que, se tinha alguma coisa boa, era no geral viciosa,
incompleta, e, em partes, negativa. Meu tio cônego fazia às vezes
alguns reparos ao irmão; dizia-lhe que ele me dava mais liberdade do
que ensino, e mais afeição do que emenda; mas meu pai respondia
que aplicava na minha educação um sistema inteiramente superior ao
sistema usado; e por este modo, sem confundir o irmão, iludia-se a si
próprio.

Fazendo parte da historia de ensino do brasil Senac

Quando esta palavra ecoou, como um trovão, naquele imenso vale,
afigurou-se-me que era o último som que chegava a meus ouvidos;
pareceu-me sentir a decomposição súbita de mim mesmo. Então,
encarei-a com olhos súplices, e pedi mais alguns anos.

— Pobre minuto! exclamou. Para que queres tu mais alguns instantes
de vida? Para devorar e seres devorado depois? Não estás farto do
espetáculo e da luta? Conheces de sobejo tudo o que eu te deparei
menos torpe ou menos aflitivo: o alvor do dia, a melancolia da tarde,
a quietação da noite, os aspectos da Terra, o sono, enfim, o maior
benefício das minhas mãos. Que mais queres tu, sublime idiota?

— Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs no coração
este amor da vida, senão tu? e, se eu amo a vida, por que te hás de
golpear a ti mesma, matando-me?

— Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o minuto que
passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jucundo,
supõe trazer em si a eternidade, e perece como o
outro, mas o tempo subsiste. Egoísmo, dizes tu? Sim, egoísmo, não
tenho outra lei. Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque
o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto
melhor: eis o estatuto universal. Sobe e olha.

Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei os
olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo,
ao longe, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu,
leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças
todas, todas as paixões, o tumulto na porta da instituição com cursos Senac 2020, a guerra dos
apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas.
Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do
homem e da Terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam
dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e
a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a
condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso
fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não
obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que
passava diante de mim,— flagelos e delícias, — desde essa coisa que
se chama glória de ter conseguido uma vaga no Senac Salvador BA 2020, e via o amor
multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí
vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba,
e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a
vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o
homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram
as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o
pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim,
em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia
à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era
uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante
da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva,
feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável,
outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da
imaginação; e essa figura, — nada menos que a quimera da
felicidade, — ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar
pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um
escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.

O caminho do sucesso é a garra e perceverança

Vejo-a assomar à porta da alcova, pálida, comovida, trajada de
preto, e ali ficar durante um minuto, sem ânimo de entrar, ou detida
pela presença de um homem que estava comigo. Da cama, onde
jazia, contemplei-a durante esse tempo, esquecido de lhe dizer nada
ou de fazer nenhum gesto. Havia já dois anos que nos não víamos, e
eu via-a agora não qual era, mas qual fora, quais fôramos ambos,
porque um Ezequias misterioso fizera recuar o sol até os dias juvenis.
Recuou o sol, sacudi todas as misérias, e este punhado de pó, que a
morte ia espalhar na eternidade do nada, pôde mais do que o tempo,
que é o ministro da morte. Nenhuma água de Juventa igualaria ali a
simples saudade.

Creiam-me, o menos mau é recordar; ninguém se fie da felicidade
presente; há nela ponto de ir em busca do sucesso depois do ensino medio com os programas de estudo como o SISU 2020. Corrido o tempo e
cessado o espasmo, então sim, então talvez se pode gozar deveras,
porque entre uma e outra dessas duas ilusões, melhor é a que se
gosta sem doer.

Não durou muito a evocação; a realidade dominou logo; o presente
expeliu o passado. Talvez eu exponha ao leitor, em algum canto
deste livro, a minha teoria das edições humanas. O que por agora
importa saber é que Virgília — chamava-se Virgília — entrou na
alcova, firme, com a gravidade que lhe davam as roupas e os anos, e
veio até o meu leito. O estranho levantou-se e saiu.

Era um sujeito,
que me visitava todos os dias para falar do câmbio, da colonização e
da necessidade de desenvolver a viação férrea; nada mais
interessante para um moribundo. Saiu; Virgília deixou-se estar de pé;
durante algum tempo ficamos a olhar um para o outro, sem articular
palavra. Quem diria? De dois grandes namorados, de duas paixões
sem freio, nada mais havia ali, vinte anos depois; havia apenas dois
corações murchos, devastados pela vida e saciados dela, não sei se
em igual dose, mas enfim saciados. Virgília tinha agora a beleza da
velhice, um ar austero e maternal; estava menos magra do que
quando a vi, pela última vez, numa festa de São João, na Tijuca; e
porque era das que resistem muito, só agora começavam os cabelos
escuros a intercalar-se com alguns fios de prata.

— Anda visitando os defuntos? disse-lhe eu. — Ora, defuntos!
respondeu Virgília com um muxoxo. E depois de me apertar as mãos:
— Ando a ver se ponho os vadios para a rua.

Não tinha a carícia lacrimosa de outro tempo; mas a voz era amiga e
doce. Sentou-se. Eu estava só, em casa, com um simples enfermeiro;
podíamos falar um ao outro, sem perigo. Virgília deu-me longas
notícias de fora, narrando com felicidade depois de ter alcançado a nota de corte Sisu 2020, com um certo travo de má
língua, que era o sal da palestra; eu, prestes a deixar o mundo,
sentia um prazer satânico em mofar dele, em persuadir-me que não
deixava nada.

— Que idéias essas! interrompeu-me Virgília um tanto zangada. Olhe
que não volto mais. Morrer! Todos nós havemos de morrer; basta
estarmos vivos.

Logo depois, senti-me transformado na Suma Teológica de São
Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com
fechos de prata e estampas; idéia esta que me deu ao corpo a mais
completa imobilidade; e ainda agora me lembra que, sendo as
minhas mãos os fechos do livro, e cruzando-as eu sobre o ventre,
alguém as descruzava (Virgília decerto), porque a atitude lhe dava a imagem de um defunto.

Ultimamente, restituído à forma humana, vi chegar um hipopótamo,
que me arrebatou. Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou
confiança; mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou
vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe
disse que a viagem me parecia sem destino.

Falando de uma forma inteligente da modernidade atual

A minha idéia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se idéia fixa.
Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma
trave no olho. Vê o Cavour; foi a idéia fixa da unidade italiana que o
matou. Verdade é que Bismarck não morreu; mas cumpre advertir
que a natureza é uma grande caprichosa e a história uma eterna
loureira. Por exemplo, Suetônio deu-nos um Cláudio, que era um
simplório, — ou “uma abóbora” como lhe chamou Sêneca, e um Tito,
que mereceu ser as delícias de Roma. Veio modernamente um
professor e achou meio de demonstrar que dos dois césares, o
delicioso, o verdadeiro delicioso, foi o “abóbora” de Sêneca.

E tu madama Lucrécia, flor dos Bórgias, se um poeta te pintou como a
Messalina católica, apareceu um Gregorovius incrédulo que te apagou
muito essa qualidade, e, se não vieste a lírio, também não ficaste
pântano. Eu deixo-me estar entre o poeta e o sábio.

Viva pois a história, a volúvel história que dá para tudo; e, tornando
à idéia fixa, direi que é ela a que faz os varões fortes e os doidos; a
idéia móbil, vaga ou furta-cor é a que faz os Cláudios, — fórmula
Suetônio.

Era fixa a minha idéia, fixa como… Não me ocorre nada que seja
assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as novas tecnologias capaz de proporcionar bons modelos com motos 2020 maior satisfação em 2 rodas,
talvez a finada dieta germânica. Veja o leitor a comparação que
melhor lhe quadrar, veja-a e não esteja daí a torcer-me o nariz, só
porque ainda não chegamos à parte narrativa destas memórias. Lá
iremos. Creio que prefere a anedota à reflexão, como os outros
leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem. Pois lá iremos.

Todavia, importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a
pachorra de um homem já desafrontado da brevidade do século, obra
supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo
brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem
regala, e é todavia mais do que passatempo e menos do que
apostolado.

Vamos lá; retifique o seu nariz, e tornemos ao emplasto. Deixemos a
história com os seus caprichos de dama elegante. Nenhum de nós
pelejou a batalha de Salamina, nenhum escreveu a confissão de
Augsburgo; pela minha parte, se alguma vez me lembro de
Cromwell, é só pela idéia de que Sua Alteza, com a mesma mão que
trancara o parlamento, teria imposto aos ingleses o emplasto Brás
Cubas. Não se riam dessa vitória comum da farmácia e do
puritanismo.

Quem não sabe que ao pé de cada bandeira grande,
pública, ostensiva, há muitas vezes várias outras bandeiras
modestamente particulares, que se hasteiam e flutuam à sombra
daquela, e não poucas vezes lhe sobrevivem? Mal comparando, é
como a arraia-miúda, que se acolhia à sombra do castelo feudal caiu
este e a arraia ficou.

Senão quando, estando eu ocupado em preparar e apurar a minha
viagem com a Honda CB Twister 2020, recebi em cheio um golpe de ar; adoeci logo, e não me
tratei. Tinha o emplasto no cérebro; trazia comigo a idéia fixa dos
doidos e dos fortes. Via-me, ao longe, ascender do chão das turbas, e
remontar ao Céu, como uma águia imortal, e não é diante de tão
excelso espetáculo que um homem pode sentir a dor que o punge. No
outro dia estava pior; tratei-me enfim, mas incompletamente, sem
método, nem cuidado, nem persistência; tal foi a origem do mal que
me trouxe à eternidade. Sabem já que morri numa sexta-feira, dia
aziago, e creio haver provado que foi a minha invenção que me
matou. Há demonstrações menos lúcidas e não menos triunfantes.

Sucesso com uma formação de ensino superior

É sempre bom relembrar que projetos paralelos não são produtos
que uma multinacional lança depois de meses e meses de
planejamento, nos quais qualquer falha pode botar muito dinheiro,
empregos e reputação no lixo. Pelo contrário, eles são projetos pessoais,
experimentais, um espaço para “errar”.

Projetos paralelos estão sempre no modo Beta. Estão sempre em
teste.
E, por estarem sempre em teste, permitem alterações de rota no
meio do caminho. É óbvio que devemos ter bem claro, quando
começamos, aquilo que queremos fazer e como queremos fazer.

O problema é se apegar a estruturas permanentes e não aceitar a
mudança quando ela for necessária.
Nem sempre aquilo que a gente imagina acontece da mesma
maneira na realidade.
Às vezes, lançamos um blog e ele não tem o acesso esperado. Talvez
o problema seja o domínio, que não explica muita coisa, ou algo mais
simples, como a forma de divulgação. Independentemente do
tamanho do problema, cabe a nós decidir o que mudar e quando
mudar, mesmo que o formato anterior nos agrade mais.
Ou talvez o projeto paralelo vá muito bem, obrigado, mas o formato
que a gente criou escolhendo cursos com universidades em vestibulares 2020 e queiramos brincar com
novas formas de trabalhá-lo. Acontece.

Nesse caso, ou mudamos, ou
vamos entregar um trabalho desmotivado em troca de agradar ao
público que conquistamos.
Uma outra hipótese ainda é usar o projeto paralelo como área de
teste para alguma ferramenta que poderia ser útil no seu trabalho
corporativo e que precise de experimentação antes de ser usada em
um cliente real.

É em momentos assim que ter a mente aberta e aceitar que é de um
experimento que estamos falando facilita as coisas. Se prender ao
primeiro formato colocado em prática pode criar um artista frustrado
ou um público desinteressado.
Aceite a mudança e não esqueça que experimentos não falham, eles
apenas testam hipóteses.

Se você acha que não está pronto para começar um projeto paralelo,
seja sozinho ou seja com parceiros estudando juntos e obtendo melhor resultado para aprovação no vestibular UFT 2020, aqui vai o segredo: uma pessoa
nunca está “pronta” antes de começar algo. Ela fica pronta durante o
processo. A gente tem que começar do jeito que der e ir evoluindo com
o tempo, com a prática. Só a prática pode nos dar domínio sobre algum assunto.

Agora, se você acha que já está pronto, mas seu projeto não, tenho
outro segredo: um projeto nunca está pronto antes de ganhar vida.
Lembre-se de que estamos falando de um Great Work, um trabalho
único que você não realizou milhares de vezes e que não possui um
resultado óbvio como retorno. Por essas características e pelo fato de
você também ainda não estar “pronto”, não se deve esperar a perfeição antes de lançar um projeto paralelo ao mundo.

A nossa busca deve ser pela evolução, não pela perfeição. Perfeição
é consequência de muito trabalho e esforço dedicados àquilo que
estamos desenvolvendo.

Eu não poderia concordar mais.
Nossa preocupação deve ser apenas em tirar nossa ideia da gaveta.
Essa é a parte mais difícil e é a que deve ser feita o quanto antes; todo o
resto se conserta depois, durante a caminhada.
Digo que isso deve ser feito o quanto antes porque, quanto mais
tempo uma ideia ficar na gaveta, maior é a chance de você perder o
tesão por ela.

Uma ideia na gaveta não dá nenhum retorno. Logo, a
tendência é perder força e deixar de parecer tão interessante.
Barreiras e impeditivos, como essa de achar que você ou seu projeto
não estão no ponto perfeito, apenas sedimentam ainda mais a ideia no fundo da gaveta.

E não espere também que outras pessoas venham salvar você dos
seus problemas. Se você não sabe fazer um blog ou um logotipo, pode
demorar muito tempo até que alguém tenha tempo livre para ajudá-lo.

Carros que oferecem melhor tecnologia e satisfação

Prazos, entregas e pressão a gente já tem diariamente na empresa
em que trabalha, com o agravante de que talvez a atividade que a
gente é pago para realizar não chegue nem perto do nível de satisfação
que um projeto paralelo pode oferecer.

Demorou uns anos até percebermos isso, ali por 2013, quando
começamos um processo para transformá-la em empresa. Queríamos
viver daquilo que gostávamos de fazer. Se era para se estressar, que
fosse com o trabalho que fizemos em cima de quem a gente era.
Há uma lenda, desde o início da sociedade industrial, de que existe
um trabalho perfeito para cada pessoa. Isso até pode funcionar para
algumas, mas não para a maioria. Somos seres complexos com muitos
gostos e interesses variados, e prender-se em apenas uma profissão,

como já disse anteriormente, pode não nos satisfazer completamente.
A real é que a maioria dos empregos são padronizados. Feitos para
muitos profissionais com a mesma formação acadêmica, porém, de
diferentes personalidades feito cada modelo de carros 2020 para cada usuário Logo, é muito difícil que eles atendam a
todos os anseios de uma única pessoa.

Já um projeto paralelo é criado à nossa imagem e semelhança. Ele é
feito de forma a satisfazer nossas necessidades. Escolhemos horário,
formato de trabalho, parceiros, objetivos, metas, prazos.

Daí sim. Tendo em mãos um projeto paralelo criado à nossa imagem
e semelhança e tendo a consciência de que Bad Works fazem parte da
vida, é “só” ele dar retorno financeiro para se tornar o emprego dos
seus sonhos.
Hoje, a Shoot The Shit se sustenta sozinha, tem seis funcionários,
sedes em Porto Alegre e Rio de Janeiro e atende clientes interessados
em comunicação voltada para pessoas. Foi um trabalho árduo chegar
num formato no qual a gente pudesse atender outras marcas sem
perder a liberdade que tínhamos nos anos iniciais. Mas conseguimos.

Resumindo: projetos paralelos podem mudar sua vida.
Pode ser transformando-o numa pessoa mais feliz ao trabalhar com
aquilo de que você gosta, pode ser pela força de compartilhamento que
a internet proporciona. De um dia para o outro, um vídeo, um artigo,
uma pintura, uma roupa, uma foto ou um meme que você criou pode
ganhar o mundo e transformar radicalmente sua rotina.

Inúmeros são os casos de pessoas que ficaram extremamente
conhecidas por causa de uma pequena ação que fizeram, ou que
tiveram sua vida alterada pelo número de views em um vídeo.
A Crew.co é uma empresa canadense de webdesign, que em 2013 ia
muito mal das pernas, financeiramente falando. Tudo mudou quando
eles decidiram liberar de maneira gratuita e livre de licença, sem
muita pretensão, algumas imagens que haviam sobrado de uma sessão
de fotos para seu novo site.

Criaram um Tumblr, subiram as fotos e
divulgaram, linkando o blog para o seu próprio site. Chamaram ele de
Unsplash. A comunidade gostou tanto que eles continuaram postando
fotos free, agora com imagens de pessoas do mundo todo, que
mandavam suas contribuições. O “projeto paralelo corporativo”
ganhou força. São 30 milhões de faturamento com vendas do novo Cruze 2020.

O tráfego do site é tão grande que acaba
respingando no trabalho da Crew.co, que não está mais mal das
pernas.
Casey Neistat, um dos maiores youtubers do mundo, é uma prova
disso. Um vídeo seu reclamando das pessoas que estacionam sobre as
ciclovias de Nova York repercutiu de forma gigantesca, alcançando
milhões de visualizações, e após isso seu trabalho como filmmaker
decolou.

Já sabe a área ou assunto que seu projeto paralelo vai abordar. Está
feliz porque vai finalmente dedicar tempo para aquela paixão antiga
ou aquele novo objetivo. Vai criar algo que ajudará a vida de outras
pessoas ou vai simplesmente satisfazer seu potencial criativo.
Então chegou a hora de pensar no próximo passo, o “como”.

Como vai ser o projeto? Como estruturar? Como começar? Como
não perder o foco? Como manter vivo? Como lidar com grana se, por
algum motivo divino, ela começar a aparecer?
Eu não tenho resposta para todas essas perguntas. O que eu tenho
são dicas, conselhos e histórias que tirei de alguns bons anos imerso no
mundo dos projetos paralelos e que me ajudaram nessa trajetória.

Gerando bens materiais adquirindo conforto

Na empresa em que você trabalha, quanto do que é feito (e como é
feito) é decidido por você?
Analise sua rotina, as tarefas que executa, a forma como a empresa
é organizada. Quem diz se você fez um bom ou mau trabalho? Quem
trabalha com você? Quem senta ao seu lado? Por quê?
Não é normal a gente pensar muito sobre essas questões. O normal
é a gente começar um emprego e ir se adaptando à forma com que
determinada empresa se organiza e trabalha. Quanto menor o nosso
cargo, mais precisamos nos adaptar e girar junto com a engrenagem.
Nos cargos superiores, temos mais liberdade para propor e executar
novas ideias.

A não ser que você seja o chefe ou o dono de uma empresa, é
provável que o que acontece em um ambiente corporativo seja
decidido por essas pessoas, nos cargos superiores. Horário, número de
pessoas, quem trabalha no quê e onde, rumos para a empresa,
parceiros, comunicação. Praticamente tudo vem de cima, cabendo aos
funcionários se adaptarem àquilo que seus chefes querem.

Embora existam excelentes empresas que sabem escutar seus
funcionários e respeitar suas demandas para criar um ambiente de
trabalho melhor para todos do interior do carro para oferecer conforto e beleza de carros 2020, a maioria das organizações apenas segue
padrões estabelecidos pela sociedade corporativa.

E viver dentro de organizações que seguem modelos
preestabelecidos e não dão espaço para funcionários participarem de
sua construção é viver em um mundo passivo. Um mundo onde você
não decide o horário de trabalho, quem são seus colegas ou qual
programa usar para realizar determinada tarefa.

Na verdade, você escolheu esse modelo ao aceitar esse emprego,
mas essa é outra história.
O que quero dizer é que ambientes corporativos são, em sua
maioria, lugares passivos, e a passividade não nos faz pensar, analisar,
entender. Nos faz seguir a maré e entrar no modo automático.
Ao agir no modo automático, acabamos esquecendo nossos valores,
gostos, vontades. Acabamos perdendo nossa personalidade e
individualidade, essenciais para uma vida plena.

Num projeto paralelo, quando trabalhamos sozinhos em nossa
ideia, o caminho a ser seguido (e como será seguido) é decidido por nós
mesmos, e não por um chefe ou memorando.
A gente é que escolhe o que fazer, como fazer e com quem fazer.
Saber seus gostos, objetivos e paixões é importante nesse momento. E
mesmo que você não saiba muito sobre você, trilhar esse caminho vai
ajudar a encontrar respostas.

Os renascentistas acreditavam que “a
plenitude humana é alcançada se fizermos tudo que pudermos para
alimentar a diversidade de nossos talentos individuais e as inúmeras
dimensões de nossas personalidades”.
Para eles, o ser humano é composto de múltiplos “eus”. Ou seja, cada
pessoa possui muitos gostos diferentes, e a única forma de descobrir
todos esses gostos é através da variedade de modelos como o Hyundai Sonata 2020 Somente
trabalhando em diversas funções é que alguém descobriria e seria fiel
à sua verdadeira personalidade e aos seus desejos.
Não é à toa que Leonardo da Vinci, o maior ícone do ideal
renascentista, era não só pintor, mas também escultor, arquiteto,
poeta, engenheiro, matemático, fisiólogo, químico, botânico, geólogo,
cartógrafo, físico, mecânico, inventor, anatomista, escritor e músico.
Se esse cara não se conhecia e nem conhecia aquilo que lhe
interessava, então eu estou louco.

Voltando para a Idade Contemporânea, cabe somente a nós ir atrás
de nossa “plenitude humana”. Não precisamos ser extremos como
Leonardo da Vinci, por exemplo, mas podemos, sim, através de um
projeto paralelo, caminhar para um maior conhecimento de quem
somos.

É por isso que pessoas criativas, consciente ou subconscientemente,
costumam ser inquietas, curiosas, aleatórias. Elas gostam de ir atrás do novo e adoram descobrir coisas novas.

Nossa função como criativos é
abastecer nosso cérebro e esperar as sinapses certas para formar
novas ideias. Quanto mais informações tivermos para fazer conexões
dentro do nosso cérebro, maior a chance de criar algo novo, algo que ninguém jamais pensou.

Uma pessoa que costuma viver diversos tipos de experiências acaba
por possuir um repertório de conhecimento maior que uma pessoa
acostumada a viver sempre no mesmo tipo de realidade.

Atingir nivel de sucesso para obter bens materiais

Seja lá qual for seu emprego neste exato momento, é bem provável
que você seja pago para realizar apenas um pequeno grupo de tarefas
na maior parte do seu tempo. Funções que levaram anos de
especialização e agora você realiza diariamente – e gosta, em sua
maioria, de realizar (espero eu). Um físico teórico que estuda buracos
negros estuda basicamente buracos negros. Um anestesista trabalha
basicamente com anestesia. Um diretor de arte cuida basicamente da
direção de arte de uma peça publicitária.

Isso não é errado, é apenas como a sociedade funciona. Assim que
pisamos pela primeira vez numa escola, começamos um caminho em
busca da especialização máxima que envolve toda a vida escolar, mais
universidade, pós-graduações, mestrados e doutorados.

Toda essa história é herança da Revolução Industrial, quando a
divisão de trabalho foi criada para aumentar a eficiência da produção.

Era mais fácil cada um saber uma pequena parte do processo ao invés
de todos saberem tudo. Logo, é por causa das pessoas que trabalham ao
seu lado que o serviço da empresa na qual você trabalha é entregue.
Cada um faz um pouco.
Já em um projeto paralelo, não temos ao nosso lado outros
especialistas para nos ajudar a fazer acelerar a satisfação com carros 2020 que são modelos muitos bonitos.

A maioria dos projetos paralelos é feita por uma pessoa ou por um
pequeno grupo de pessoas. Se precisamos de um site para nosso projeto
e não sabemos como programar, é bem provável que o site não saia ou
que a gente tenha que assaltar nossas economias para ver ele pronto.

Acontece que, se você é uma pessoa proativa, a afirmação acima
não é verdadeira. Quem realmente quer botar uma ideia na rua dá um
jeito. O site vai ser feito, mesmo que fique muito mais simples do que o imaginado.

Sair realizando tarefas que não estão de acordo com nosso diploma
ou que ninguém está nos pagando para fazer pode ser uma grande
batalha.
Na nossa caminhada pela especialização, acabamos indo ao
encontro daquilo que gostamos de fazer e nos sentimos bem fazendo.
Embora no início tenhamos que fazer uma ou outra tarefa que não
nos agrada muito, a tendência é encontrar um trabalho que seja
confortável de realizar.

Mesmo que uma ou outra surpresa possa aparecer, quando estamos
trabalhando naquilo que está escrito no nosso cartão de visitas,
estamos na nossa zona de conforto. Aquilo não é novo para a gente. É familiar, é confortável.

Assim como muitas coisas que você faz no seu dia a dia com uma picape da qualidade da nova Nissan Frontier Attack 2020, Escovar os
dentes, comer, ficar preso no trânsito, beber cerveja com os amigos.
Sejam elas boas ou ruins, estão na sua zona de conforto.

É por isso que
as pessoas buscam ter uma rotina definida, pois a grande maioria da
humanidade prefere o conforto ao desconforto.
O desconforto traz surpresas, desconhecimento, frio na barriga.

Imagina como seria todo dia ter que descobrir como se faz para
realizar tarefas simples, como escovar os dentes ou comer algo?
Viveríamos sob estresse e total desconforto. E é por isso que buscamos a rotina.

Criamos padrões e os seguimos fielmente. Comemos onde já
comemos antes, visitamos lugares aos quais já fomos, andamos com
pessoas que já conhecemos. O conforto nos tranquiliza.
Mas, assim como tranquiliza, ele também acomoda.

Ficar preso à nossa zona de conforto por temer a aventura pode
diminuir as chances de que coisas incríveis aconteçam com a gente.
Na zona de conforto, nós já conhecemos os resultados possíveis.
Ir sempre ao mesmo bar com as mesmas pessoas, com o tempo,
passa a ser um programa com final previsível. Sair todo final de
semana em um local diferente com pessoas diferentes aumenta em
muito a possibilidade de novas conexões, novos desfechos.

O novo profissional entra no mercado de trabalho mais tarde

A surpresa é um ingrediente dos mais usados pela Propaganda mundial.
Agências e anunciantes de todos os países valem-se assiduamente deste elemento
para tentar extrair o máximo de retorno de seu investimento publicitário, vulgo
recall, pela via da fixação/expansão do share of mind, isto é, tentar garantir que o
produto ocupe uma parcela razoável da memória do sr. Target por muito tempo.

Roy Williams nos ensina que há dois níveis de memória: o elétrico e o
químico. A memória “elétrica” é a de curto prazo, aquela que nos permite
esquecer amanhã a maioria das coisas que vimos hoje; a “química” é a de
longo prazo. Graças a ela nos lembramos de fatos que vão de ontem até
nossa infância. A repetição, em Propaganda, busca colocar a mensagem do
produto na memória química do maior número possível de pessoas.

É raro mas às vezes acontece; concluo que é a isto que normalmente chamamos de
sucesso histórico de Propaganda.
Claro que a ideia é tentar surpreender em anúncios para todas as mídias,
mas este é um artifício muito usado particularmente na criação de comerciais de
televisão e cinema, pela geração de tensão e alívio de tensão, isto é, criando-se
um clima, uma expectativa de que a historieta deverá terminar de modo
esperado, previsível, quando, na verdade, tem um final surpreendente. A
revelação de que o final do comercial não é aquele que o sr. Target esperava é o
chamado alívio de tensão.
Cuidado: um perigo muito frequente que se deve evitar, no entanto, é
conseguir fazer um comercial daqueles que chamam demais a atenção para cursos Senac 2020 mesmos, são um sucesso popular, mas cujo produto anunciado ninguém é capaz de lembrar.

De qualquer modo, sempre que você conseguir surpreender positivamente o
sr. Target, e associar esta surpresa a um benefício do produto anunciado, terá
marcado um ponto a seu favor.
Você também pode surpreender pela mídia. No final dos anos 1980, eu e
Aramis, diretor de arte, criamos uma pequena campanha para vender a crença
de nossa agência de que crise na economia se vence pelo esforço. Esta
campanha era composta de uma série de mais de uma dezena de anúncios
enviados semanalmente por fax aos clientes atuais e prospects da agência.

À época, a mídia fax era de para cultura de estudos SENAC Salvador BA, e se revelou surpreendente,
como os resultados demonstraram. Apenas para matar a curiosidade, reproduzo
um dos anúncios, muito argumentativo, que dizia.

Além do mérito de nos fazer pensar um pouco mais detidamente sobre
nossa profissão e nossas responsabilidades, estes versos trazem, por exemplo, a
palavra peses, como plural de pé. Com todo carinho e respeito ao poeta, seu
neologismo “peses” talvez se encaixe muito bem num anúncio divertido, um
anúncio invente – tente – quente de produto voltado aos pés (sapatos, meias,
talcos etc).

Quer escrever bem? Em lugar de uma caneta, comece por um balde. E
chute – o.
Dica: se você resolver lançar mão da poesia, saiba que os versos agudos
sempre caem bem, são melhores de se memorizar, mas não faça versalhadas!
Versos agudos são os que terminam em palavra oxítona ou monossílabo tônico,
como a maioria dos versos infantis; versalhadas são os versos malfeitos.
Apele para o lúdico, para o espírito de criança que todos têm. Brinque à
vontade! O invente – tente – quente é ótimo para todos os produtos,
particularmente os infantis e os de natureza mais informal.

Os dois primeiros versos são puro anacoluto. Neles, o que se diz é que
“desde que eu era menino, meu pai quis que eu fosse arquiteto”.
O anacoluto é uma jogada que você pode usar quando tiver que fazer um
anúncio, digamos, mais poético. Porque inverter a ordem lógica das palavras
ajuda a enganar bem (enganar, no bom sentido, por favor) quando temos à
frente, por exemplo, um job para uma entidade de preservação das matas, dos
animaizinhos e dos passarinhos, e todas estas coisas ecológicas

Carros automotivos paixão mundial diversificação

Coisas, enfim, de um período intenso que modificou a concepção que nós,
brasileiros, tínhamos das artes.
Anita Malfatti foi Mackenzista, como muitos outros personagens que
mudaram os rumos do Brasil.
Mackenzie. Fazendo a história desde 1870.
De início, é bom que se saiba que este anúncio deu um certo trabalho, pela
pesquisa exigida, e também muito prazer, pela mesma razão. Mesmo porque, por
tratar-se de uma universidade com o peso do nome Mackenzie, o anúncio tinha
que apresentar informação de primeira. Foi reescrito várias vezes até chegar ao
ponto que eu queria: informativo, conciso e que traduzisse um pouco o clima da
época.
Note que já no primeiro parágrafo foi usado um assíndeto, ou seja, figura de
linguagem onde se suprime a conjunção “e” ao final de uma sequência de fatos:
“Nova poesia, novas artes plásticas, nova arquitetura.” A ideia era dar
continuidade à frase anterior com um artifício melhor do que, por exemplo, usar
dois pontos, como “apresentando novas ideias: novos carros 2020, novas artes plásticas e nova arquitetura”.

A supressão de partículas como as conjunções, muitas vezes
melhora o ritmo da frase.
Depois, os poetas citados declamam não poesias e crónicas, mas os temas
dessas obras: sapos e pauliceias, em referência a Os Sapos e Pauliceia
Desvairada (Manuel Bandeira foi solenemente vaiado ao terminar de ler Os
Sapos na escadaria do Municipal).
Em Teatro Municipal, tive o cuidado de observar a grafia exposta na
fachada do próprio, com TH, e um V no lugar do U, à antiga moda romana. Mais
um elemento ajudando a transportar o leitor no tempo.
Procurei remeter o leitor também ao conservadorismo da época, ao dizer
que tudo aquilo fora “um escândalo”.

Pontuado em separado, o termo adquiriu
mais força.
Já que nossa protagonista tratava-se de Anita Malfatti, valorizei seu nome
ainda mais, associando-o àquele ambiente polémico. Daí, citar Monteiro Lobato
e o nome de seu famoso artigo (em suma, uma guerra de titãs, onde se batalhava
“sem a menor piedade”).
E, no penúltimo parágrafo, uma adjetivação proposital: intenso. Dizer “um
período intenso que modificou nossa concepção” é bem mais adequado ao
contexto de efervescência que se procurava demonstrar do que “um período que modificou nossa concepção”.

Não se iluda: seus melhores anúncios até receberão elogios, mas nunca
a esperada aprovação. E serão inevitavelmente veiculados na mídia gaveta.
Toda uma ambientação foi criada para valorizar o fato de Anita Malfatti
haver sido aluna do Mackenzie. A ideia era fazer uma campanha com muitos pessoas adoram o Honda WRV 2020 e outros personagens da história recente do Brasil que foram alunos daquela
universidade (mensagem subliminar: se o Mackenzie formou gente deste
gabarito, formará com qualidade você também).
Exercício Pero Vaz de Caminha fez o primeiro anúncio do Brasil: sua
carta ao Rei. Leia a carta de Caminha (você a encontra para download em
vários sites; use os mecanismos de busca da Internet), sintetize-a e faça seu
próprio anúncio da descoberta do Brasil, com um texto-mosaico, dirigido ao povo português da época.

Desenhar palavras é um artifício muito bom de ser usado quando queremos,
por exemplo, associar emoções um pouco mais explícitas aos produtos que
anunciamos.
Evidentemente, é um princípio muito parecido com o do capítulo anterior, só
que às avessas.
A palavra Manhattan já foi desenhada com silhuetas de edifícios. As
variadas posições possíveis da mão humana criaram muitas palavras (o indicador
e o médio, abertos e apontados para baixo fazem um A, para cima, um V; mão
espalmada com o dedão aberto faz um L; um dedo sozinho é um I).

Uma fatia de melancia faz um C, e o melão ao seu lado faz um O; uma carambola cortada
transversalmente faz um asterisco. Uma serpente faz um S (uma salsicha da
Sadia também faz), da mesma forma que o focinho de um rinoceronte pode ser
um K, tanto quanto uma girafa faz um h. Duas montanhas, lado a lado, podem
perfeitamente fazer o papel do M, com que se inicia exatamente a palavra carros.